Resumo
Pesquisas no campo da etnobotânica têm fornecido valiosas informações sobre a forma de apropriação e manejo dos recursos vegetais por populações locais. De modo geral, essas populações locais possuem amplo conhecimento sobre métodos alternativos usados para curar ou aliviar sintomas de doenças. O trabalho objetivou identificar as plantas medicinais, bem como seus usos no tratamento de diversas doenças, a partir dos conhecimentos dos moradores da comunidade de Rio Urubueua de Fátima. No período de julho de 2011 a julho de 2012 foram realizadas entrevistas semiestruturadas com 35 informantes, na faixa etária de 28 a 93 anos. Os resultados demonstraram que 58 espécies vegetais são indicadas para o tratamento de diversas enfermidades, relacionadas a cinco sistemas corporais: nervoso (3 spp.), geniturinário (6 spp.), circulatório (8 spp.), respiratório (10 spp.) e gastrintestinal (35 spp.). As doenças do sistema gastrintestinal acometem frequentemente crianças e adultos, com relatos de distúrbios relacionados à diarreia, dor de barriga, dor de estômago e verminoses. As espécies mais empregadas na terapia medicinal foram hortelã (Mentha sp. L.), goiaba (Psidium guajava L.), Caxinguba (Ficus máxima Mill.) e boldo (Vernonia condensata Baker). A forma de utilização desses recursos se dá por meio de chás, que podem ser preparados com as folhas, cascas e raízes. O tratamento com as plantas medicinais constitui-se como medida terapêutica prioritária para os moradores de Rio Urubueua de Fátima, uma vez que a ineficiência do atendimento à saúde deixa a comunidade desassistida e vulnerável à doenças. Recursos vegetais medicinais abundantes, juntamente com a manutenção dos conhecimentos tradicionais, tornam-se alternativas efetivas e de baixo custo para a população da área de estudo.
Autor
MESQUITA, U. O. | MOURA, P. H. B. | LUCAS, F. C. A. | TAVARES-MARTINS, A. C. C. | SOUZA, J. P. S.
Ano da publicação
2014
Palavras-Chave
Tipo de publicação
Idioma
Português
Produção dos Grupos de Pesquisa?
Sim